O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) apontou indícios de
assédio sexual por parte do ex-secretário de Segurança Pública do Estado,
Maurício Martins, contra a delegada da Polícia Civil Viviane Fontenelle. Diante
das evidências, o órgão manifestou-se favorável ao prosseguimento do processo
na Justiça estadual.
Maurício Martins nega as acusações. Procurado para comentar
a nova manifestação do MP, o ex-secretário não se pronunciou.
Promotoria vê elementos que confirmam denúncia
Em parecer recente enviado ao Tribunal de Justiça do
Maranhão (TJ-MA), a promotora Uiuara de Melo Medeiros concluiu que, após a
oitiva de testemunhas, existem:
"Elementos que confirmam a narrativa inicial
apresentada pela delegada Viviane Fontenelle."
Com a manifestação, o Ministério Público encaminhou o
documento ao Poder Judiciário solicitando a marcação de uma audiência
preliminar para dar andamento ao caso.
Entenda o caso: "Delegata" e constrangimento em
reunião
O caso veio a público no início de março deste ano, quando a
delegada Viviane Fontenelle denunciou publicamente o comportamento do então
secretário durante uma agenda de trabalho.
Segundo o relato da delegada, Maurício Martins teria feito
comentários de cunho pessoal inadequados na presença de outros delegados (todos
homens). Na ocasião, o então chefe da pasta de Segurança a chamou de
"delegata" e afirmou que gostaria de ter uma foto dela para expor em
seu gabinete.
"Ele começou a proferir vários tipos de gracejos, me
chamando de delegata, dizendo que já me observava desde os tempos que eu era do
Tribunal de Justiça (...). Foi uma situação bem embaraçosa e
constrangedora", desabafou Viviane na época.
Corregedoria arquivou processo administrativo contra
delegada
Em paralelo à denúncia de assédio, a delegada enfrentou um
processo interno. No mesmo dia em que expôs o caso nas redes sociais, a
Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) abriu um
Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Viviane Fontenelle.
O PAD — que apurava uma postagem feita pela delegada sobre
dados estatísticos do Carnaval, sem relação direta com a denúncia de assédio —
foi classificado por ela como uma clara "perseguição".
Após repercussão, a investigação administrativa contra a
delegada foi arquivada pela Corregedoria, que não constatou irregularidades na
conduta de Viviane. O caso criminal de assédio sexual contra o ex-secretário,
contudo, segue agora para análise da Justiça do Maranhão.
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