Abril terá 20 milhões de doses a menos que previsto por governo Bolsonaro

Ministério da Saúde criou um calendário contando com adiantamentos de insumos para produção de vacinas e com imunizantes sem aprovação de órgão regulador.


Foto: Tania Rego/AgBR

O governo federal previa contar com cerca de 48,2 milhões de doses até o final de abril deste ano, o que seria suficiente para vacinar 31% da população acima de 18 anos. A realidade, porém, é que 20 milhões de vacinas não vão chegar neste mês.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em audiência da Câmara na quarta-feira (1), afirmou que a nova previsão para abril é de 25,5 milhões de doses. A justificativa do ministro é que atrasos nas entregas do Instituto Butantan, que produz a CoronaVac, e Fiocruz, fabricante da vacina de Oxford comprometeram o cumprimento do calendário.

“No mês de abril, a previsão (é) de 25,5 milhões de doses. Há atrasos na entrega das duas principais indústrias nacionais: Butantan e Fiocruz. Há a questão da Bharat, a vacina indiana, que a Anvisa ontem suspendeu a planta (negou certificação à fábrica). Covax Facility, temos possibilidade de ter mais 2 milhões de doses. Então esse calendário, essa estimativa, é sujeita a essas entregas que são feitas ao Ministério da Saúde. Apesar de estar contratado, há atrasos na entrega”, afirmou o ministro.


O impacto do contratempo com o consórcio internacional Covax Facility – que também sofre com desabastecimento – é na ordem de 1 milhão de vacinas. Já no caso da vacina indiana, a Covaxin, a inclusão foi mais uma irresponsabilidade do ministério da Saúde ainda comandado por Eduardo Pazuello. Ele incluiu no calendário 8 milhões da Covaxin e mais 400 mil doses da russa Sputnik, ambas sem aprovação da Anvisa.

De acordo com a coluna de Vinicius Torres Freire, na Folha de S.Paulo, o atraso na entrega de vacinas pelo Instituto Butantan e Fiocruz deve-se à escassez de insumos importados da China. Até agora, o laboratório Sinovac havia atendido pedidos de adiantamento feitos pelo governo brasileiro. No último mês, a China aumentou o volume de compras de imunizante no país e as empresas diminuíram o volume de exportações de matéria prima necessária para a produção de vacinas. O laboratório responsável pelo insumo da Coronavac ainda cumpre as datas iniciais acordados, com previsão de chegada da próxima remessa no dia 9 de abril.

O Butantan contava com a chegada de mais insumos na segunda quinzena de março, o que não ocorreu. No calendário do governo, haveria cerca de 15,8 milhões de doses da Coronavac disponíveis em abril. Agora, o Butantan deve entregar 9,8 milhões de doses.

O calendário do governo também previa mais doses da vacina AstraZeneca/Oxford, produzidas pela Fiocruz. A programação era de 21,1 milhões de doses para abril, mas, de acordo com o calendário da Fiocruz, será possível entregar 18,8 milhões de doses.

E outras 2 milhões de doses da AstraZeneca/Oxford seriam importadas já prontas da Índia, produzidas pelo Instituto Serum, o que não deve acontecer antes do fim deste mês. No total, são cerca de 20 milhões de doses que com certeza não chegam até o fim do mês.

A parcela da população passível de ser vacinada a partir das contas do ministro Queiroga é de 24% e menos da metade da população vulnerável. Na previsão inicial, praticamente duas a cada três pessoas no grupo de risco estariam vacinadas.


Agência de notícias 

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