terça-feira, 29 de maio de 2018

Petroleiros: Greve por nova política de combustível pressiona Parente



A greve de advertência de três dias aprovada pelos petroleiros para acontecer em todo o país nesta quarta-feira (30) coloca mais pressão sobre o presidente da Petrobras, Pedro Parente. Conhecido como ministro do apagão do governo Fernando Henrique Cardoso, Parente tem contra si o desgaste da greve de uma semana dos caminhoneiros autônomos e inúmeros pedidos – de parlamentares de oposição e aliados do governo – para que ele seja demitido.

Denunciar os aumentos sucessivos no preço do diesel, gasolina e gás de cozinha é um dos objetivos da greve dos petroleiros, que também reivindicam a saída de Parente do cargo. Como preparação para a greve, os trabalhadores realizaram nesta segunda-feira (28) protestos em diversas unidades da Petrobras , entre elas nas refinarias do Paraná (Repar), de Paulínia (Replan/SP), Landulpho Alves (Rlam/BA), Abreu e Lima e terminal de Suape(PE). As refinarias serão colocadas à venda pela Petrobras.

Nesta segunda-feira, Parente distribuiu carta aos petroleiros para evitar a greve de advertência na quarta. Pediu reflexão para o “grave momento da vida nacional” e reafirmou que o aumento diário do combustível foi em defesa da companhia. Segundo Parente, a greve que os petroleiros aprovaram prejudicaria consumidores, a Petrobras e a sociedade brasileira.

Simão Zanardi Filho, presidente do Sindicato dos Petroleiros de Caxias (RJ) e diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), lembrou que a política praticada pela Petrobras desde que Parente assumiu em 2016 é que tem prejudicado o consumidor e chegou agora a um ponto insustentável. “Neste momento a política de desmonte e privatização da Petrobras está destruindo a maior indústria nacional brasileira”.

O dirigente enfatizou a importância da Petrobras para o Brasil. “É estratégica para o desenvolvimento do país. Uma empresa de petróleo garante soberania energética. Mas o que temos é uma política de reajuste de preços extremamente nociva , fora a política interna que desvalorizou os ativos. Houve muita demissão no setor do petróleo que tem na sua cadeia produtiva metalúrgicas, indústria naval, trabalhadores industriais. Foram demitidos porque o Parente optou em construir plataformas para a Petrobras em outro lugar gerando emprego em Cingapura, na China e na Coreia”.

A política praticada por Pedro Parente deixou a Petrobras refém de oscilações do preço do petróleo e do desabastecimento, disse Simão. “Eu tenho petróleo, tenho refinaria e tenho distribuidora, ou seja, tenho cadeia de petróleo. Pelo plano de Parente a Petrobras quer sair dessa cadeia para ser só uma indústria de exploração de petróleo e deixar de ser uma indústria integrada. Todas as grandes indústrias de petróleo do mundo são integradas, tem exploração, refinação e petroquímica. E como a gente tem muito gás tem também geração de energia elétrica. O plano de Parente e do atual governo é acabar com tudo isso”.

A greve de advertência dos petroleiros é para esclarecer para a sociedade e para a Petrobras que é preciso baixar o preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. “Para isso é preciso aumentar a produção na refinaria e diminuir as importações. E para isso temos que desalinhar o preço com o mercado internacional e aliar o preço ao custo de produção. A política do Parente deixou o país numa situação de aumento do combustível toda vez que subir o barril do petróleo. Hoje está em 70 dólares tem convulsão social no Brasil, imagine se o petróleo chegar a 100 dólares,” ressaltou Simão.

Os petroleiros iniciam a greve de advertência à meia-noite desta quarta. No período de 1º a 12 de junho, os trabalhadores se reúnem para debater a conjuntura. Segundo Simão, no dia 12 haverá reunião para avaliar a possibilidade de ser definida ou não uma greve geral.


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