sexta-feira, 7 de julho de 2017

No G20, Temer mente, diz que “crise econômica no Brasil não existe”

Faixa com “Fora Temer” estendida na fachada de um edifício da universidade de Hamburgo, na Alemanha, onde ocorre o G-20

 Ao chegar no hotel em que está hospedado, Temer disse aos jornalistas que não há crise no país. “Você sabe que crise econômica e política [...] crise econômica no Brasil não existe. Vocês têm visto os últimos dados”, afirmou.

Michel Temer desembarcou nesta sexta-feira (7) em Hamburgo, na Alemanha, para participar do encontro de cúpula do G20. A recepção foi uma faixa com “Fora Temer” estendida na fachada do Geomatikum, edifício da universidade de Hamburgo, na Alemanha, onde ocorre o encontro.

“Não existe crise econômica, presidente?”, questionou um jornalista. “Não, pode levantar os dados e você verá que nós estamos crescendo empregos, estamos crescendo indústria, estamos crescendo agronegócio. Lá não existe crise econômica”, respondeu Temer, encerrando rapidamente a entrevista.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o país tem hoje 13,8 milhões de desempregados, encerrando o trimestre em 13,3%.

Enquanto os demais chefes de Estado aproveitam o G20 para realizar encontros bilaterais, a agenda de Temer está vazia. O jantar com a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, anfitriã do evento, foi cancelado. 

A previsão divulgada pelo próprio governo é de que Temer realize passagem relâmpago por Hamburgo e retorne ao Brasil cedo no sábado, perdendo a última sessão de trabalho da cúpula que trata de empoderamento da mulher, digitalização e emprego.

Em matéria publicada no site da BBC Brasil, destaca Temer chegou para o encontro do G20 “sem o brilho de quase uma década atrás, quando a ascensão do grupo coincidiu com o auge de visibilidade do país no mundo”, se referindo aos governos de Lula e Dilma.

A matéria frisa ainda que, no final de 2008, logo após o estouro da bolha norte-americana, o G20, formado pelas principais economias desenvolvidas e emergentes, deixou de ser apenas um grupo de discussão financeira para um fórum de chefes de Estado e governo.

“Mas se naquela época o Brasil despertava admiração mundial ao conciliar forte crescimento com redução da desigualdade de renda, agora o país chama atenção pela persistência da crise econômica, pela profusão de escândalos de corrupção e pela confusão política sem saída rápida aparente, observam especialistas em política externa ouvidos pela BBC Brasil”, constata.

A matéria cita o segundo encontro do G20, em 2009, realizado em Londres, em que Lula chegou a ser chamado pelo então presidente norte-americano Barack Obama de “o cara” e “o político mais popular da terra”.

“Temer não terá muita voz ou influência na reunião. O Brasil não desempenha hoje nenhum papel importante nos assuntos econômicos mundiais. A crise de governo, os retrocessos econômicos e os escândalos de corrupção fizeram com que a maioria dos principais países do mundo e agências internacionais se tornasse cautelosa sobre manter relações próximas com o Brasil”, disse o especialista em América Latina e presidente emérito do centro de pesquisas Inter-American Dialogue Peter Hakim.

Para a professora do Instituto de Relações Internacionais da USP Maria Antonieta Lins, “a presença do Temer [no G20] é extremamente nefasta para o Brasil”.

“A imagem dele está completamente desgastada nacionalmente e internacionalmente. Eu acompanho a imprensa internacional todos os dias, ele é uma figura praticamente ridicularizada em todos os continentes”, afirma. “Então, [sua ida ao G20] parece ser essa pessoa fingindo que está tudo normal, sendo que ele pode ser processado a qualquer momento, sair do posto. É uma coisa um pouco patética, infelizmente”, completa.

O desprestígio de Temer no G20 não é de hoje. No encontro no ano passado, que aconteceu três dias após o impeachment de Dilma, ele foi o único líder que não teve o nome citado na lista de presença. Em vez de apresentar o nome de Michel Temer, a lista elencou “líder brasileiro”.

Agora, Temer ficou de fora do programa de imprensa da cúpula, que lista presidentes como o argentino Mauricio Macri e o russo Vladimir Putin.

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