terça-feira, 6 de junho de 2017

PF prende Henrique Alves, ex-ministro de Temer, em dia decisivo para o presidente




A Polícia Federal (PF) prendeu na manhã de terça-feira (6/6) o ex-deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ex-ministro de Dilma Rousseff e de Michel Temer. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-deputado já preso em Curitiba, também recebeu novo mandado de prisão. Estas ações fazem parte da Operação Manus, um desdobramento da Lava Jato, que apura atos de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a construção da Arena das Dunas, em Natal, um dos estádios oficiais da Copa do Mundo de 2014. O Ministério Público identificou sobrepreço de R$ 77 milhões na construção da Arena.

A Operação acontece em um dia particularmente difícil para Temer, que hoje depõe sobre corrupção e é julgado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os advogados do presidente têm até às 16h30 para responder 84 questões feitas pela Polícia Federal no inquérito em que é investigado pelos crimes de corrupção, obstrução à Justiça e participação em organização criminosa. Paralelamente, o TSE começa a decidir se chapa Dilma-Temer é culpada ou inocente dos delitos de abuso de poder político e econômico durante a eleição presidencial de 2014, quando foi a vencedora.

A Operação Manus tem como base provas coletadas em várias etapas da Operação Lava Jato que apontavam que os parlamentares favoreciam duas grandes construtoras envolvidas na construção da Arena das Dunas em troca de vantagens indevidas. A OAS Engenharia foi a responsável pela obra. Segundo delação de Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora, Henrique Alves teria feito lobby em dois tribunais de contas para evitar o bloqueio de recursos para as obras da Arena em 2014, informou o Estadão.

Na operação deflagrada pela PF, cerca de 80 policiais federais cumprem 33 mandados judiciais, sendo cinco mandados de prisão preventiva, seis mandados de condução coercitiva e 22 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio Grande do Norte e Paraná. A operação foi batizada de Manus em referência ao provérbio latino “Manus Manum Fricat, Et Manus Manus Lavat”, que significa "uma mão esfrega a outra, uma mão lava a outra".

Ele deixou o Governo Temer em junho de 2016, após ser citado na delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, acusado de ser agraciado em um esquema de propinas na Petrobras. O ministro era considerado um dos fiéis aliados de Temer na Esplanada dos Ministérios. Por essa razão, assessores do presidente interino ressaltaram que foi o próprio Alves quem pediu demissão, e não que ele foi demitido.

"A partir das delações premiadas em inquéritos que tramitam no STF, e por meio de afastamento de sigilos fiscal, bancário e telefônico dos envolvidos, foram identificados diversos valores recebidos como doação eleitoral oficial, entre os anos de 2012 e 2014, que na verdade consistiram em pagamento de propina", informou a PF por meio de nota. Também foram identificados que valores supostamente doados para a campanha eleitoral em 2014 de um dos investigados foram desviados em benefício pessoal.


Com informações de El País

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