quinta-feira, 8 de junho de 2017

Maioria no PSDB crê que Temer não termina mandato


A aliança de interesses entre o PSDB e Michel Temer está cada vez mais perto do fim. Unidos pelo golpe contra o mandato da presidenta Dilma Rousseff, tucanos e peemedebistas vivem um crise na relação após as revelações trazidas pelas conversas de Temer com o empresário da JBS, Joesley Batista.



   No PSDB, a bancada de deputados federais é quem encabeça o movimento pelo desembarque do governo. Após reunião com parlamentares, o líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (SP), disse que, entre os tucanos, está prevalecendo o sentimento de que não há mais clima para permanecer no governo. E mais, disse que Temer não tem mais condições de governar.

“Alguns parlamentares acham que o momento de sair não é agora, mas quase todos acham que Michel Temer não consegue terminar o governo. Metade da bancada acha que deve desembarcar agora e outra metade acha que deve aguardar, monitorar os fatos e conversar com os ministros”, declarou Tripoli. “Divergência é sobre o momento de sair. Não vejo clima de continuidade mesmo com uma eventual absolvição de Temer no TSE”, completou.

Segundo o tucano, as divergências dentro da legenda são em torno da definição de qual o melhor momento para o desembarque. A executiva nacional do PSDB vai reunir as bancadas no Senado e Câmara, governadores e todos os presidentes estaduais do PSDB para o encontro neste fim de semana para definir o futuro com o governo.

Tripoli, por sua vez, disse que, assim como entre os deputados federais, a maioria dos senadores também é favorável à saída do governo e à entrega de cargos. Mas ressalta que a saída do governo não significa recuo no apoio às reformas. A posição já era esperada, pois a agenda de reformas foi uma das condições de apoio dos tucanos ao governo Temer.

“Não precisamos ter cargo e ministério para apoiar as reformas”, disse o presidente em exercício do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), que tem defendido cautela.

“Não vai parar de ter fato novo e isso vai mudando a cabeça de deputados e senadores”, avaliou o senador tucano. “Vamos esperar segunda-feira por um cenário mais completo. Existe uma grande preocupação de que o partido saia coeso (da reunião)”, afirmou.

Para o governo, a permanência do PSDB na base é crucial para a sua governabilidade, por considerar que a saída vai representar uma debandada da base aliada.

Dois diretórios da legenda, o do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, já se posicionaram pela saída do governo. O diretório de São Paulo também se movimentava nessa direção, mas sob a intervenção do governador Geraldo Alckmin, a rebelião foi contida.

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