sexta-feira, 19 de maio de 2017

Aliados aconselham Temer a renunciar. Votações de reformas paralizaram





A situação do presidente é considerada “gravíssima”. Ambiente de desânimo domina o governo. Pedido de impeachment já foi protocolado

Da RBA

A divulgação da notícia de gravações de conversas nas quais o presidente Michel Temer discute com o empresário Joesley Batista o pagamento de propina para compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tumultua a capital do país. A Esplanada dos Ministérios e a praça em frente ao Palácio do Planalto recebem pessoas que chegam a todo momento portando bandeiras do Brasil, aos gritos de “Fora, Temer!” e pedidos de renúncia do presidente. 
Embora várias reuniões ainda não tenham terminado duas situações são dadas como certas. Primeiro, que a agenda de votação das reformas estão paralizadas. A segunda, confirmada nos bastidores por políticos do governo, é que caso não consiga reverter o quadro rapidamente, o presidente renuncie ao cargo.

“O Congresso não pode ficar calado. Estamos num ambiente de fim, um sentimento de que o governo acabou. A solução tem que ser ou a renúncia, ou um impeachment ou diretas já”, disse o líder da oposição na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE). O pedido de impeachment de Temer foi protocolado pouco tempo depois da divulgação da gravação pelo deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), na Câmara, enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou o teor da gravação, que foi feita pelo dono da empresa JBS, Wesley Batista, e apresentada em delação premiada.

‘Tudo perdido’
Entre os deputados e senadores de todos os partidos, o ambiente é de nervosismo. Todos, quando abordados por jornalistas e questionados – seja em reservado ou publicamente – classificam a situação como “gravíssima”.

O líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR), chegou a pedir aos repórteres que evitem precipitações neste momento e evitou falar em adiamentos na votação das reformas, mas não conseguiu convencer.

As contas feitas por parlamentares da oposição e da base do governo são de que, no caso da reforma da Previdência, o Planalto contava, com 225 votos favoráveis e 123 indecisos. Com a presença de governadores e prefeitos, que vieram a Brasília para participar de um seminário e acompanhar a votação da proposta que refinancia dívidas dos estados, a intenção do governo era conseguir o convencimento de mais 123 parlamentares – de modo a garantir os votos que faltam. Com a notícia da gravação, as articulações neste sentido foram interrompidas. “Está tudo perdido. Não há como falar em votação nenhuma neste momento”, disse um senador peemedebista.

Impeachment, Diretas ou STF?
No Congresso, parlamentares da oposição discutem a posição a ser adotada daqui por diante no sentido de pressionar pela saída de Temer. Lindbergh Farias (PT-RJ) defende pressão para acolhimento, o quanto antes, pelo presidente da Câmara ou do Senado, do pedido de impeachment. Mas um outro movimento dos oposicionistas trabalha para que a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, vote com urgência a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 227/16 que trata de eleições diretas para a Presidência da República.

Outra possibilidade discutida foi de o tema ser decidido pelo Judiciário, por meio de um pedido a ser feito junto ao STF para abertura de processo contra Michel Temer por obstrução de Justiça. Caso o colegiado da mais alta corte do país decida pela abertura do processo, o presidente terá de deixar o cargo.

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