domingo, 20 de novembro de 2016

SEMA vistoria impactos ambientais na Cachoeira do Boqueirão, em Icatu

 A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA), por meio da Superintendência de Biodiversidade e Áreas Protegidas, realizou vistoria na Cachoeira do Boqueirão, em Icatu, no dia 11 de novembro. O Objetivo foi avaliar os impactos ambientais causados pelo grande fluxo de visitantes na região. Na ocasião, estavam presentes, também, representantes das Secretarias Estaduais de Agricultura Familiar (SAF) e de Igualdade Racial (SEIR).

Inicialmente todos os representantes reuniram-se com moradores e membros da Associação Quilombola de Boqueirão, que relataram a situação presente na região. O ponto turístico, localizado no povoado de mesmo nome, sofre com a quantidade de visitantes que recebe diariamente. Esse número aumenta em período de feriados e finais de semana. “Já chegou aqui cerca de seis a dez ônibus lotados. A comunidade colhe cerca de seis caixas de lixo deixado por eles. Já tentamos controlar a entrada, por meio de cobrança, conforme o tamanho do veículo e quantidade de pessoas, mas isso não funcionou, pois os visitantes não querem pagar a taxa e já teve, inclusive, ameaças. Então, o impacto que isso vem causando é muito grande”, disse o presidente da Associação Quilombola de Boqueirão, José da Silva Gomes.





A maioria do público visitante leva a sua própria alimentação, porém não têm cuidado com a destinação dos resíduos que são gerados, embora tenha uma lixeira na área. Assim após o proveito do ambiente natural e do banho na cachoeira, os visitantes vão embora, sem deixar qualquer benefício para o povoado e para manutenção da cachoeira. Na região moram 60 famílias, que estão preocupadas com a situação. “As pedras ao redor do rio estão caindo, muito lixo é deixado, até as mudas que plantamos na margem do rio são levadas”, afirmou o presidente da Associação.

De acordo a Analista Ambiental da SEMA, Clarissa Moreira, o que tem que ser feito é um planejamento, uma forma de controlar a entrada dessas pessoas, para que o ambiente seja salvo e preservado. “A conscientização tem que ser trabalhada, inicialmente, com a própria comunidade. E pensar em formas de como o obter esse controle e de como essa renda pode ser deixada na própria comunidade, porque hoje é um atrativo turístico que não dá retorno à comunidade. Pensar realmente no uso adequado do local, usar sem degradar”, destacou ela.

Após a visita, a equipe da SEMA constatou que o órgão pode contribuir no ordenamento das atividades de uso e visitação do patrimônio ambiental, com ações defiscalização e controle sobre os impactos ambientais na área da cachoeira. “A ideia é trabalhar, também, com a educação ambiental, trazendo para a comunidade palestras sobre a sustentabilidade, uso adequado dos recursos naturais do local, além de capacitação sobre outras possibilidades de obter renda, como a reutilização de materiais recicláveis, artesanato e etc”, explicou a Supervisora de Anuência sobre Fauna da SEMA, Eliane Braga Ribeiro.

A vistoria foi solicitada pela Secretaria de Estado de Igualdade Racial, constituindo uma ação inicial da SEMA no contexto do Programa Maranhão Quilombola, instituído pelo Decreto Estadual nº 30.981, de 30 de julho de 2015. Este Programa envolve um conjunto de ações voltadas à promoção de desenvolvimento sustentável de comunidades rurais quilombolas. As ações abrangem aspectos relativos à infraestrutura, qualidade de vida, desenvolvimento local e inclusão produtiva. O programa tem como áreas de atuação cinco Rotas de Desenvolvimento Sustentável, sendo uma delas a Rota de Guaxenduba. Essa Rota abrange o município de Icatu e é composta por 23 comunidades rurais quilombolas, entre as quais está a do Povoado de Boqueirão.

“Nesse sentido, solicitamos tal ação da SEMA, haja vista que a cachoeira serve de atrativo turístico e de geração de renda para as famílias da comunidade. No entanto, o local está sofrendo um processo acelerado de degradação ambiental. E a ideia é que haja, posteriormente, uma avaliação ambiental em toda a Rota de Guaxenduba”, afirmou o representante da SEIR, Said Zaidan.

Cachoeira do Boqueirão - Está localizado no Povoado de Boqueirão, aproximadamente a 46,5 km da Sede de Icatu. Seu acesso dar-se por meio da MA 402 até a entrada do Povoado Jaburu, em seguida tem-se uma estrada não pavimentada. A Cachoeira do Boqueirão é um lugar de beleza relevante com duas quedas d´águas de aproximadamente 2m de altura convidativas a serem apreciadas.

Devido à morfologia do relevo, a cachoeira localiza-se sob uma espécie de cânion, circundada por rochas de arenito lapidadas pelo intemperismo, dando o formato de um lago, configurando um cenário atrativo e exótico. Possui uma vegetação de mata de galeria e águas límpidas de valor térmico muito agradável.

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