quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Povo toma a Paulista e reafirma: Golpe não passará!


São Paulo
Por  Dayane Santos e Laís Gouveia


Com a força da democracia e a determinação daqueles que têm compromisso com o Brasil, 100 mil pessoas tomaram a avenida Paulista em São Paulo para dizer: “Não vai ter golpe!” O ato convocado por entidades do movimento social contou com lideranças dos mais diversos setores contra o impeachment, contra o ajuste fiscal e pela saída de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da Câmara dos Deputados.

O clima entre os manifestantes era de muita disposição de luta. Em meio à multidão, encontramos Eliane Ornellas, professora de História em Diadema, região metropolitana de São Paulo. “Temos que lutar pela democracia. O que está acontecendo com o pedido desse impeachment é um golpe pelo poder. A direita é contrária ao avanço social conquistado durante o governo Dilma. Nós, como povo, somos a favor da democracia. A gente tem que estar na rua. Temos que demonstrar de que lado estamos e o que lado estamos protegendo”, afirmou Eliane.

Ela enfatiza que sempre morou na periferia e hoje, como professora de escola pública, acompanha de perto os avanços conquistados nos últimos na vida dos adolescentes para quem deu aula.

“Trabalho com adolescentes. Hoje eu tenho alunos na universidade, coisa que antes eu não via. Por isso estou aqui lutando pela periferia, pelos meus alunos, contra o golpe e a favor da democracia”, disse.

A disposição também se expressou na fala dos dirigentes dos movimentos sociais. O presidente da CTB, Adílson Araújo, afirmou que a mobilização foi uma demonstração firme em defesa do Estado Democrático de Direito.

“O povo brasileiro vai dando conta de que o Estado Democrático de Direito está sob um sério ataque. E nesse calor da instabilidade política nada mais justo que levarmos o povo para as ruas, levantar a bandeira da defesa da democracia e barrar de uma vez por todas o golpe”, destacou o sindicalista.

Já o presidente da CUT, Vagner Gomes, reforçou que o ato tem o objetivo esclarecer “o Brasil de que o impeachment é golpe, que o Cunha não tem mais condições de permanecer como presidente da Câmara e dizer que o governo precisa mudar a linha da política econômica”. E acrescentou: “Não é um golpe contra a Dilma, mas contra o direito dos trabalhadores”. 


Gilmar Mauro, da coordenação do MST, destacou o caráter amplo do ato. “Esse movimento se ampliou. Hoje temos intelectuais, juristas, jornalistas, atores. Há um conjunto de pessoas da sociedade civil que estão nessa luta pela democracia.” 

O coordenador do MTST, Guilherme Boulos, criticou a postura do vice-presidente Michel Temer (PMDB) ao escrever, na semana passada, uma carta com críticas à presidenta Dilma. “Oportunista a postura do Michel, quer ser presidente escrevendo carta, vá presidir os correios! Para ser eleito para governar a nação é preciso voto”, afirma.

A presidenta da UNE, Carina Vitral, reforçou a importância da luta jurídica e popular, para derrotar a tentativa de retrocesso promovido pela direita. “Esta quarta-feira (16) é um dia histórico. Os estudantes não só se fazem presente nas ruas de todo o Brasil, marchando contra o golpismo, como também entrou no STF como ‘amicus curiae’, representada por Pedro Dallari, que é advogado e ex-coordenador da comissão nacional da verdade e fez a defesa de que o rito do impeachment deve ser transparente, aberto e com a legalidade estabelecida, para que nós consigamos, no voto, barrar o impeachment golpista na Câmara dos Deputados”, conclui.

Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), a manifestação foi uma demonstração da consciência política dos trabalhadores.

“Os trabalhadores são capazes de defender os seus direitos, mas também são capazes de compreender a importância do respeito à legalidade. Assim como defendemos que é preciso respeitar às convenções coletivas do trabalho, numa negociação entre trabalhadores e empresários, é importante também defender a Constituição. E a Constuição é clara: de quatro em quatro anos nós temos eleição para presidente. Durante esse período há que se reivindicar os direitos econômicos, mas querer tirar a presidente no momento em que não há nada que possa determinar o impeachment, para nós é golpe.”

Entre as lideranças partidárias, estava o vice-presidente nacional do PCdoB, Walter Sorrentino, e Nivaldo Santana, secretário nacional Sindical e dirigente da CTB. Walter destacou a importância da unidade em defesa da legalidade. 
“O PCdoB sempre esteve unido às forças populares e elas hoje representam o que tem de mais avançado no país em torno do qual se unem vastos setores, democratas da intelectualidade, do movimento cultural, do mundo jurídico. Estamos na vanguarda de um movimento em defesa da democracia como sempre foi em nossa história. Demos muito sangue pela democracia e estamos aqui para dizer que golpismo não passará”, salientou.

A deputada estadual por São Paulo, Leci Brandão (PCdoB), também marcou presença e manifestou a sua emoção. “É um momento emocionante. Estamos mostrando pra essa gente que não aceita a igualdade, que não aceita os direitos, que não aceita a inclusão, que o povo tem outra definição. O povo está aí, na rua, para dizer isso”, declarou.

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