
O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), alterou sua autodeclaração de raça no registro de candidatura apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para as eleições deste ano, o político informou ser branco. Em 2022, quando disputou o Palácio de Ondina, havia se declarado pardo, decisão que provocou forte repercussão e críticas durante a campanha.
Como a informação é autodeclaratória, a classificação pode ser modificada a cada eleição. Na Bahia, cerca de 80% da população se identifica como preta ou parda, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A autodeclaração feita em 2022 gerou acusações de oportunismo, principalmente em razão das regras de distribuição do fundo eleitoral, que reserva parte dos recursos partidários para candidaturas de pessoas negras. Na ocasião, ACM Neto divulgou um vídeo para rebater as críticas e afirmou que a escolha refletia sua identidade. "Me autodeclarei pardo, antes de tudo, porque é assim que me sinto, é assim que me vejo, não é de agora", declarou à época.
O então candidato também argumentou que já havia adotado a mesma classificação racial na eleição municipal de 2016, quando concorreu à Prefeitura de Salvador. "Naquela época, eu não tinha fundo eleitoral, não tinha financiamento público de campanha, não tinha cota, não tinha nada disso", afirmou.
O episódio ocorreu durante a campanha em que ACM Neto acabou derrotado no segundo turno pelo candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, atual governador da Bahia. Apesar de liderar parte da disputa, o desgaste provocado pela controvérsia sobre a autodeclaração racial foi apontado como um dos fatores que contribuíram para sua derrota. Jerônimo obteve 49,45% dos votos válidos no primeiro turno, ficando próximo da vitória já nessa etapa da eleição.
Disputa equilibrada
Na corrida eleitoral deste ano, a disputa aparece equilibrada. Segundo a pesquisa Genial/Quaest mais recente, ACM Neto registra 39% das intenções de voto, contra 38% de Jerônimo Rodrigues. O PT governa a Bahia desde 2006.
Além da mudança na autodeclaração racial, o registro entregue ao TSE mostra um crescimento expressivo do patrimônio informado pelo ex-prefeito. ACM Neto declarou possuir R$ 84 milhões em bens, incluindo dois apartamentos, participações em empresas e investimentos. Em 2022, o patrimônio declarado era de R$ 41,7 milhões, com um apartamento em Salvador avaliado em R$ 7,8 milhões.
A campanha de ACM Neto foi procurada para explicar a alteração na autodeclaração de raça, mas não havia se manifestado até o momento. O espaço permanece aberto.
Pelas regras da Justiça Eleitoral, cabe ao próprio candidato declarar sua raça no cadastro eleitoral, sem análise prévia por comissão de heteroidentificação. No entanto, o Ministério Público pode contestar a informação caso identifique irregularidades. Nesses casos, o candidato pode responder por falsidade ideológica eleitoral, crime previsto no artigo 350 do Código Eleitoral.
O episódio ocorreu durante a campanha em que ACM Neto acabou derrotado no segundo turno pelo candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, atual governador da Bahia. Apesar de liderar parte da disputa, o desgaste provocado pela controvérsia sobre a autodeclaração racial foi apontado como um dos fatores que contribuíram para sua derrota. Jerônimo obteve 49,45% dos votos válidos no primeiro turno, ficando próximo da vitória já nessa etapa da eleição.
Disputa equilibrada
Na corrida eleitoral deste ano, a disputa aparece equilibrada. Segundo a pesquisa Genial/Quaest mais recente, ACM Neto registra 39% das intenções de voto, contra 38% de Jerônimo Rodrigues. O PT governa a Bahia desde 2006.
Além da mudança na autodeclaração racial, o registro entregue ao TSE mostra um crescimento expressivo do patrimônio informado pelo ex-prefeito. ACM Neto declarou possuir R$ 84 milhões em bens, incluindo dois apartamentos, participações em empresas e investimentos. Em 2022, o patrimônio declarado era de R$ 41,7 milhões, com um apartamento em Salvador avaliado em R$ 7,8 milhões.
A campanha de ACM Neto foi procurada para explicar a alteração na autodeclaração de raça, mas não havia se manifestado até o momento. O espaço permanece aberto.
Pelas regras da Justiça Eleitoral, cabe ao próprio candidato declarar sua raça no cadastro eleitoral, sem análise prévia por comissão de heteroidentificação. No entanto, o Ministério Público pode contestar a informação caso identifique irregularidades. Nesses casos, o candidato pode responder por falsidade ideológica eleitoral, crime previsto no artigo 350 do Código Eleitoral.
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