Durante o recente congresso Gideões 2026, a pastora Helena Raquel tocou em uma das feridas mais urgentes para as comunidades de fé e, por que não dizer, para a sociedade como um todo.
O discurso não foi apenas uma denúncia, mas um chamado à responsabilidade institucional. A centralidade do cuidado e da proteção aos vulneráveis precisa fazer parte dos princípios fundamentais das instituições e da mensagem social da igreja.
A realidade dos números
Para compreender a dimensão do problema abordado, é fundamental olhar para as estatísticas oficiais mais recentes. Os dados demonstram que a violência de gênero e o abuso contra menores são crises que exigem enfrentamento diário e ações urgentes, mas também a médio e longo prazo.
Violência contra a mulher
Feminicídio: O Brasil registrou 1.568 mulheres vítimas de feminicídio em 2025, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior.
Denúncias
Vulnerabilidade
Exploração e Pornografia Infantil: Entre janeiro e julho de 2025, o Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da SaferNet Brasil registrou 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil (envolvendo material de pornografia infantil), um crescimento de 18,9% em relação ao mesmo período de 2024.
Subnotificação crítica: Estima-se que cerca de 500 mil crianças e adolescentes sejam explorados sexualmente todos os anos no país, mas uma parcela muito pequena chega a ser denunciada, o que escancara um cenário de extrema vulnerabilidade.
Omissão
As denúncias, por muitas vezes, são levadas ao conhecimento dos dirigentes de igrejas e comunidades eclesiásticas mas infelizmente, são abafadas ou minimizadas em detrimento do "escândalo".
Helena Raquel foi corajosa ao denunciar essa omissão. No entanto, vale lembrar que o problema não ocorre apenas dentro das igrejas. A sociedade em geral sofre desse mal: a omissão, o preconceito, a misoginia e a violência que geram números alarmantes e fatalmente levam ao feminicídio anualmente.
O discurso da pastora no Gideões 2026 nos aponta para uma necessidade urgente para o século XXI: precisamos ouvir a voz das vítimas. Mas não basta apenas ouvir e depois abafar.
Ao dar um forte grito de alerta em defesa das mulheres vítimas de violência e de jovens, crianças e adolescentes vítimas da pedofilia, a pastora escancarou uma realidade que não pode mais ser tratada como um tabu ou ignorada por quem tem voz ativa.
O discurso não foi apenas uma denúncia, mas um chamado à responsabilidade institucional. A centralidade do cuidado e da proteção aos vulneráveis precisa fazer parte dos princípios fundamentais das instituições e da mensagem social da igreja.
A realidade dos números
Para compreender a dimensão do problema abordado, é fundamental olhar para as estatísticas oficiais mais recentes. Os dados demonstram que a violência de gênero e o abuso contra menores são crises que exigem enfrentamento diário e ações urgentes, mas também a médio e longo prazo.
Violência contra a mulher
Feminicídio: O Brasil registrou 1.568 mulheres vítimas de feminicídio em 2025, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior.
Denúncias
(Ligue 180): Em 2025, foram reportadas 679.058 violações, um aumento de 18,5% em comparação com 2024. Desse total, 49,9% correspondem à violência psicológica e 15,3% à violência física.
Vulnerabilidade
Os dados apontam que 59,4% dos agressores são companheiros das vítimas e 21,3% são ex-companheiros, evidenciando que a violência ocorre majoritariamente no ambiente doméstico.
Abuso Sexual Infantil e Pornografia
Estupro de Vulnerável: Mais de 57 mil casos de estupro de vulnerável foram registrados no Brasil apenas em 2025, segundo dados do Ministério da Justiça, sendo que a maior parte (cerca de 67%) ocorre no próprio ambiente residencial.
Exploração e Pornografia Infantil: Entre janeiro e julho de 2025, o Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da SaferNet Brasil registrou 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil (envolvendo material de pornografia infantil), um crescimento de 18,9% em relação ao mesmo período de 2024.
Subnotificação crítica: Estima-se que cerca de 500 mil crianças e adolescentes sejam explorados sexualmente todos os anos no país, mas uma parcela muito pequena chega a ser denunciada, o que escancara um cenário de extrema vulnerabilidade.
Omissão
As denúncias, por muitas vezes, são levadas ao conhecimento dos dirigentes de igrejas e comunidades eclesiásticas mas infelizmente, são abafadas ou minimizadas em detrimento do "escândalo".
Em sua fala, a pastora Helena Raquel foi contundente ao orientar as mulheres a não apenas denunciarem e fugirem da violência, mas também alertou para que "não orem pelo agressor" (orientação muitas vezes aconselhada pelo líder religioso local), uma postura de cobrança e ruptura com tradições que muitas vezes mantêm a vítima presa ao ciclo de violência, através do silêncio.
Helena Raquel foi corajosa ao denunciar essa omissão. No entanto, vale lembrar que o problema não ocorre apenas dentro das igrejas. A sociedade em geral sofre desse mal: a omissão, o preconceito, a misoginia e a violência que geram números alarmantes e fatalmente levam ao feminicídio anualmente.
O discurso da pastora no Gideões 2026 nos aponta para uma necessidade urgente para o século XXI: precisamos ouvir a voz das vítimas. Mas não basta apenas ouvir e depois abafar.
A mensagem nos conclama a tomar uma atitude que salve vidas, mesmo que, para isso, as estruturas das instituições e das casas de fé precisem ser abaladas. Proteger a integridade física e emocional é o mais alto princípio da verdadeira mensagem de cuidado e amor. O silêncio não é sinal de paz, mas de cumplicidade; a mudança começa quando decidimos que nenhuma imagem institucional vale mais do que uma vida salva.
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