Sob pretexto de segurança elétrica, diretor técnico determina retirada de itens básicos de conforto dos servidores; funcionários apontam falta de diálogo e estrutura precária para refeições e reclamam da qualidade da água " O bebedouro é velho e a água de péssima qualidade", denunciam os servidores.
A rotina exaustiva dos profissionais de saúde do Hospital da Mulher, em São Luís, ganhou um ingrediente amargo esta semana. Uma circular interna (Nº 003/2026), assinada pelo Diretor Técnico Isaac Rubens Britto Dias Neto, determinou a retirada imediata de aparelhos elétricos pessoais como: cafeteiras, sanduicheiras e frigobares das dependências da unidade.
O "Pente-Fino" do Desconforto
O documento justifica a medida com base em normas de segurança (NR-10, NR-23 e NR-32) e na prevenção de incêndios. No entanto, o que a Direção chama de "ajuste técnico", os servidores classificam como um ato de insensibilidade e falta de diálogo e ainda abuso de autoridade.
Para quem cumpre plantões de 12h ou 24h, o acesso a um café quente ou a possibilidade de armazenar e aquecer sua própria alimentação não é luxo, é dignidade básica.
" O bebedouro é velho e a água de péssima qualidade", denunciam.
"A quantidade de equipamentos no hospital não atende a demanda dos funcionários por isso precisamos desses itens" contou um funcionário ao Portal Rose Castro.
O Medo a retaliação
Os denunciantes pediram a não divulgação dos nomes com medo de retaliação. Segundo eles, o que mais preocupa no texto da circular é o tom punitivo. O documento estabelece o prazo de 7 dias para a retirada dos itens, sob pena de:
Registro de não conformidade;
Notificação formal à chefia;
Recolhimento administrativo dos bens.
A fiscalização, que ficará a cargo das chefias imediatas e da engenharia, levanta um questionamento jurídico e ético: até onde vai o poder diretivo da unidade sem que ele fira o princípio da razoabilidade?
Retirar o direito de um profissional de tomar um café ou manter sua comida refrigerada em um ambiente de alto estresse pode ser interpretado como um cerceamento indireto das condições de trabalho.
O Portal Rose Castro, deixa o espaço aberto para que a Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS) e a direção do Hospital da Mulher se manifestem sobre quais melhorias reais serão entregues aos funcionários para compensar essas proibições.
Confira o conteúdo da circular!



Nada errado, tudo pautado em normas regulamentadoras. Totalmente ilegal comer dentro de repouso e ter um milhão de eletrodomésticos ligado em uma rede que fica sobrecarregada e que precisa mesmo é manter equipamentos de pacientes ligados 24h. Vai no hospital ver, melhor que publicar o que nem sabe a realidade! Muito mi-mi-mi pra profissionais que precisam ser lembrados todo dia o serviço que tem que fazer, igual criança, pegando no braço!
ResponderExcluirNa verdade muito funcionário são tratado mal não tem. Nada de mimi. Esse gestor ele. Ver os funcionários como meros animas isso sim
ResponderExcluirVenho, por meio desta, relatar e solicitar providências quanto às condições de trabalho enfrentadas no hospital, que demonstram falta de respeito e comprometimento com a dignidade dos profissionais.
ResponderExcluirAtualmente, o espaço destinado ao repouso é totalmente inadequado, sendo disponibilizadas apenas duas beliches para aproximadamente dez profissionais por plantão. Tal situação inviabiliza o descanso mínimo necessário, especialmente considerando a carga horária exaustiva a que os trabalhadores estão submetidos.
Além disso, há relatos frequentes de que, durante o período noturno, profissionais são impedidos de descansar por parte da supervisão, o que agrava ainda mais o desgaste físico e emocional da equipe
A medida está adotando um caráter generalista e proibitivo, sem estratificação de risco. Nenhuma das normas citadas determina retirada indiscriminada de equipamentos e sim a necessidade de controle e adequação, e a própria NR-32 também trata de condições adequadas de trabalho.
ResponderExcluirÉ preciso considerar que remover todos os equipamentos vai impactar no bem-estar das equipes que fazem 12-24h de jornada.
Sem falar que o controle sanitário/de pragas está mais relacionado à práticas de higiene do que à presença dos equipamentos.
O hospital conta com funcionários de 3 enfermarias, 1 ambulatório com vários consultórios, 1 centro cirúrgico e 1 UTI, sem falar nos funcionários administrativos.
ResponderExcluirCentralizar todos esses funcionários, sem falar nos acompanhantes, em 1 único refeitório disponível, é estruturalmente incompatível considerando o volume de pessoas e a diversidade de usuários. Essa aglomeração aumenta o risco de infecções cruzadas ao misturar os setores e aumentar a circulação em um espaço comum, o que contraria a RDC 63/2011 (já que a circular está no mérito das normas).
Imagino o impacto na UTI, onde a equipe terá que se deslocar de andar para acessar um refeitório em conjunto com todos os outros setores do hospital (aqui o risco de infecção é ignorado, mas o paciente não pode ter acesso à um livro se quer pois a CCIH veda).
Essa direção desse hospital é desumana com seus funcionários a carga horária deles ultrapassar a contratual e aí dos funcionários quer não cumprirem são devolvidos pra secretaria tudo as regras quer eles impõe. E regra de escravidão é isso não é só para funcionários.. Esse hospital precisar ser fiscalizado.. Esse prêmio que ganharam não foi merecekdo
ResponderExcluirChamam de medida de segurança, mas parece mais uma decisão sem planejamento e sem respeito com os servidores. Como cobrar qualidade no atendimento se nem o básico é garantido? Falta estrutura, falta diálogo e sobra imposição. E o mais grave: uma gestão que trata os funcionários mal, que não sabe nem reconhecê-los e tratá-los como profissionais. Situação lamentável.
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